quinta-feira, 1 de março de 2012

Universidade: lugar de formação do indivíduo e da sociedade


Estudando um pouco sobre a história do Brasil, me dou conta de um fato interessante: durante as décadas de 20 e 30, diversos âmbitos da sociedade estavam se perguntando o que era o Brasil. Uma imagem bastante interessante me veio ao ler um livro sobre o samba. Nele, era descrita uma mesa na qual Cartola, Noel Rosa e outros dois grandes intelectuais brasileiros discutiam sobre o samba e a sua relação com o Brasil.

Essa imagem ficou em minha mente. E uma pergunta quase imediata me veio: hoje, percebemos esse diálogo? Tristemente podemos notar que ele quase não existe. A universidade tem se tornado uma ilha separada, fora da sociedade. Mas por quê? O que tem acontecido?

Podemos entender a época da universidade como um período de passagem. Entramos como jovens adolescentes e saímos podendo nos considerar adultos responsáveis, capazes de trabalhar e construir. Mas encontramos lá dentro diversas realidades, das quais destacaria duas: a dos alunos que se envolvem em movimentos sociais e a dos que levam a universidade como um prolongamento do colégio.

Os primeiros lutam por uma sociedade melhor, ou pensam nisso. Mas frequentemente se diluem em seus grupos, esquecendo-se de si mesmos e tendo como sentido último uma utopia ou ideologia. O outro grupo prefere ir à universidade como se fosse a uma aula de escola, excluindo o nexo com a sociedade, dizendo respeito unicamente a ele mesmo. Esses não são capazes de construir muita coisa no mundo, aqueles não constroem o próprio eu.

Deve haver alguma postura mais justa. Mas qual? Lembro que escutei de um professor uma reclamação sobre os alunos de hoje: “eles não vivem mais a universidade!”. Perguntava-me o que seria isso.

Voltando à imagem do início, percebi que essa busca pela própria identidade (o que é o Brasil?; quem somos nós?) era o que movia não só os intelectuais, mas também outras pessoas. Porque carregavam uma mesma pergunta, era possível o diálogo entre elas (mesmo nem sempre tendo opiniões semelhantes). Sendo assim, elas partiam de uma pergunta que, no fundo, era “quem sou?” e “qual o sentido disso tudo?”

E hoje? Talvez pudéssemos dizer que os acadêmicos não trazem mais perguntas. Mas tendo a não acreditar nisso: afinal, não dá para extirpá-las de nós. Então, intuímos que viver a universidade passa, necessariamente, por carregar essas perguntas vivas dentro de nós, colocá-las diante dos estudos e relacionamentos, e isto dentro da universidade, nosso ambiente.
Penso que partindo daí podemos não só superar essas reduções (esquecer do mundo ou de si), mas, quem sabe, também fazer da vida algo parecido com alguns desses belos sambas.

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