Hoje a universidade adquiriu a função predominante de ensinar uma profissão, ou simplesmente fornecer um título que possibilita a ascensão profissional. Mas esperar só isso do tempo que passamos lá dentro é muito pouco... Existe a possibilidade de se aprender muito mais.
Primeiro: aprender a conhecer. Para conhecer, é preciso ser curioso, aberto, estar disposto. A natureza nos faz assim quando somos crianças, mas com o passar dos anos perdemos essa infância de coração. Talvez o lugar em que estudamos não seja bem preparado para nos ensinar a conhecer. Porém, a simples situação de estar num lugar novo, com pessoas novas, ouvindo matérias novas, ajuda a retomarmos a curiosidade e disponibilidade. Hoje em dia, as possibilidades de contato se multiplicaram, sendo possível aproveitar a existência de instituições e pessoas que preencham uma carência da universidade de origem.
Segundo: aprender a ser crítico. Criticidade não é o puro e simples discordar, mas a comparação contínua entre o que nos é proposto e o ideal que temos por dentro. Quando o coração nos diz “isto me faz pensar em coisas que eu não levava em consideração” ou “isso está deixando algo de lado, não pode ser por aí”. Para aprender a ser crítico, é preciso não querer negar algo só porque não se encaixa em esquemas próprios.
Terceiro: aprender a encontrar pessoas. Podemos aprender com o outro, por ter uma história e uma sensibilidade diferente da nossa. Sempre. Confirmando ou tendo que reformular a visão que já tínhamos das coisas.
Quarto: aprender a fazer amigos. A universidade é um lugar onde, além de mim, outras pessoas estão buscando um bem em comum. Isso nos coloca de tal forma juntos que favorece o nascimento de amizade. Atenção: esta amizade não consiste daquelas companhias que nos afastam do compromisso com a realidade, que nos poupam do trabalho pessoal que a vida nos solicita – trabalho de buscar as razões para se ter esperança.
Quinto: aprender a utilidade da minha tradição. O que trazemos de nossa família pode resistir ao mundo atual ou é algo inútil, destinado a ser abandonado ou a se viver no esconderijo de uma vida privada? É o passo de nos tornarmos adultos. Para que aconteça esse passo, é preciso ter aprendido o anterior: fazer amigos (não “cúmplices” ou “companhias sentimentais”), companheiros verdadeiros que juntos seguem o ideal.
O tempo que passamos na universidade precisa voltar a ser o que era a sua proposta inicial, durante a Idade Média, quando as primeiras universidades foram fundadas: tempo em que me empenho com o mistério grandioso da criação e do meu “eu”.
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