quinta-feira, 19 de abril de 2012

É chegado o tempo da pessoa - Editorial da revista Passos de maio em primeira mão

É CHEGADO O TEMPO DA PESSOA

“Quando a mordaça de uma sociedade adversa se aperta à nossa volta a ponto de ameaçar a vivacidade de nossa expressão e quando a hegemonia cultural e social tende a penetrar o coração, aguçando as já naturais incertezas, então é chegado o tempo da pessoa.”


É impressionante a atualidade dessa afirmação de Dom Giussani! Vivemos tempos em que os fundamentos que geraram o povo brasileiro são questionados por um judiciário que se sente detentor das luzes e da autoridade para remover dos lugares públicos os sinais da fé cristã, para “reformular” o conceito de família e para liberar o aborto de malformados. Em nome da separação entre Estado e Igreja (diga-se de passagem, uma das grandes invenções do Cristianismo), nega-se o poder dos representantes eleitos pelo povo para legislar sobre esses assuntos.

Mas o que é o “tempo da pessoa”? É o tempo de reconhecermos que a trama da fé que sustentava o nosso povo já não existe mais. É o tempo de começar a reconstruir o templo, o lugar de interseção do Infinito com o cotidiano – e esse lugar é a pessoa de cada um de nós.

Este é o tempo de perceber que precisamos de uma educação da fé para chegarmos a uma inteligência da realidade. Tempo de nos perguntarmos “qual é a minha certeza hoje?”. De refazermos aquele percurso de certeza sem o qual a fé subsistirá somente como “valores cristãos”. Aquele percurso que os apóstolos fizeram, partindo do que viram e tocaram e chegando à afirmação da divindade dAquele homem, Cristo.

Tempo não só de crescer na certeza, mas também de nos perguntarmos como comunicá-la. Como se comunica o acontecimento cristão? O olhar com que o homem Jesus olhou a samaritana se tornou o olhar com que os apóstolos Pedro e João olharam o paralítico na porta do templo. E se tornou o olhar que o jovem Policarpo sentiu sobre si no final do primeiro século, vindo daquele mesmo João. E foi o mesmo com que o ancião Policarpo olhou Irineu, e este o levou para a distante França... esse olhar, transmitido ininterruptamente através dos séculos, chegou até nós.

A defesa explícita da vida é necessária, assim como a contemporaneidade daquele olhar. E por ele todos anseiam: os malformados, tratados como não pessoas; a mãe, surpreendida pela dor da notícia de carregar em si uma criança diferente; e o juiz que legisla por uma causa de morte.

COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO

Um desafio para a educação - parte 1

“Como pode um professor dar uma boa aula se ele é quase um escravo, ganha um salário indigno e ainda tem os alunos que não se interessam por nada”? – essa foi uma pergunta feita por um professor a uma senhora. Na verdade essas são as críticas feitas por quase todos, basta gastar um tempo numa sala de professores de qualquer escola para escutar as mesmas reclamações.

Estes mesmos professores, quando pensam em soluções, as fazem partindo das únicas variáveis que eles não controlam: os alunos e o sistema educacional. Para uns, para que a escola cresça, é preciso retirar os alunos desinteressados, “uma maçã podre estraga o cesto”. Outros dizem que a solução é que os colégios entrem no ritmo de “uma educação para o vestibular/Enem”, e todo o foco do ensino deva ser o de preparar os alunos para uma prova.

Há alguns anos o ideal da educação era o de forma cidadãos. Para isso, até o professor de matemática deveria ensinar uma visão crítica do mundo – e a matemática ficava em segundo plano. Hoje a situação se agravou e o objetivo do ensino é que os alunos consigam marcar bolinhas. A meu ver, nenhum e nem outro (ainda que o segundo seja uma redução ainda mais agressiva).

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Num trecho de um romance do Joseph Conrad , o autor nos fala sobre o trabalho. O personagem havia usado todo o dinheiro em um barco que afundara antes dele sequer vê-lo, e agora precisava reconstruí-lo: “Subi a bordo. O casco ressoava sob os meus pés como uma lata vazia de biscoitos que você saísse impelindo aos pontapés pela sarjeta; sua constituição não era anda sólida, sua forma não tinha nada de bonito, mas eu empregara naquele barco uma quantidade suficiente de trabalho árduo para começar a amá-lo. (...) Ele me dera a oportunidade de revelar-me um pouco – descobrir do que eu era capaz. Não. Não que eu goste do trabalho. Prefiro me entregar à preguiça e ficar só pensando em todas as coisas que podem ser feitas. Não gosto do trabalho – ninguém gosta – mas gosto do que o trabalho proporciona – a oportunidade de se encontrar. A sua própria realidade – para você, não para os outros – que nenhum outro homem jamais terá como conhecer”.

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A senhora do início desse artigo respondeu à pergunta do professor: “o problema é que se confunde trabalho com salário. Não se percebe que são coisas diferentes. O trabalho é uma vocação e, no caso do professor, quando este o exerce de modo errado ele mata o futuro de pessoas, arruína o sonho de muitos”. Talvez seja esse o primeiro ponto ao qual tenhamos que resgatar: “o trabalho como vocação”, i.e., como uma inclinação que eu decido responder porque me constrói e constrói a outros. Continuaremos.

PUC - Pontifícia Universidade Católica

A discussão a respeito do secularismo da PUC-SP está em alta e cresceu graças ao pronunciamento de Dom Luiz Bergonzini. Ele defendeu que a Universidade, por ser católica, deve se fundamentar nos princípios cristãos. Não poucos foram os arautos da “liberdade” que se levantaram contra o que consideraram a fala totalitária do Bispo. Para compreender as nuances da discussão devemos nos livrar do típico preconceito secularista que, direta ou indiretamente, toma conta da consciência do homem moderno.

A liberdade de expressão não é “unidirecional”, do contrário estaríamos falando do sonho dos totalitários, ou seja, da liberdade de alguns poucos se pronunciarem enquanto muitos outros são sistematicamente taxados de “reacionários”, “fascistas”, “medievais” etc. Em um dos artigos do estatuto da PUC-SP se diz que o cumprimento da sua missão “orienta-se, fundamentalmente, pelos princípios da doutrina e moral cristãs” e que “dentro desse espírito, assegura a liberdade de investigação, de ensino e de manifestação de pensamento”. Ora, estamos falando, portanto, de uma instituição católica e que se alicerça em claros paradigmas cristãos. Vale frisar que o que é proposto não é a transformação da sacralidade acadêmica numa aula de catequese paroquial, mas sim que o ethos que sustenta a vida universitária é, obviamente, cristão.

Os revoltosos secularistas afirmam que se a PUC aderisse ao que a ela é pedido se distanciaria da essencial liberdade de expressão. Entretanto, a PUC-SP não é a única Universidade do mundo e, ao que me consta, ninguém ingressou nela sem saber o que representam as letras “P” e “C” que aparecem na sua sigla. Ademais, nunca haverá um ambiente universitário livre de influências externas, sejam elas políticas, religiosas, ideológicas – as nossas Universidades Federais que o digam. Assim, é natural que os homens que constroem as Academias – não, elas não caem do céu e nem brotam por partenogênese – estejam unidos por um projeto comum. Foi assim que surgiram as Universidades historicamente e foi assim que nasceram diversas instituições acadêmicas das mais variadas matizes; comunistas, luteranas, católicas, liberais, umbandistas etc.

Destarte, é assustador perceber como um grande número de jovens e pensadores não percebe a gravidade de tamanha incoerência. Tal grupo advoga o direito de estudar e lecionar numa instituição católica e de defender uma agenda moral que vai de encontro com aquilo que é defendido, quer gostem ou não, pela Igreja, mas sequer aceita o direito da mesma instituição católica de querer ser católica e de se posicionar no mesmo aspecto. Trata-se de uma liberdade de expressão enviesada e assustadoramente ideologizada. Devemos buscar viver realisticamente, só assim será possível nos afastar do desejo idealista que sempre ronda o coração.

Dignidade do anencéfalo

O Supremo Tribunal Federal aprovou no dia 12 de abril a descriminalização do aborto em fetos anencéfalos alegando que não pode existir vida sem atividade cerebral, levando a uma interpretação segundo a qual tais bebês já nascem mortos; além disso, defendendo a suposta dignidade materna, de não querer levar ao fim uma gravidez que resultará em um bebê que talvez sobreviva apenas algumas horas.

Não é razoável justificar tal aborto, afirmando que a dignidade materna será respeitada se desfazendo de seu filho anencéfalo e nem afirmar que estes não estão vivos.

Toda vida é um dom, significa doada por Outro. Não cabe a nenhum de nós o poder de sobre tal vida. Não temos plenos poderes nem sobre a nossa própria vida, quanto menos sobre a de outro indivíduo. A dignidade do feto anencéfalo, que, ao contrário do que dizem, pode sobreviver extra útero, mesmo que brevemente, deve ser respeitada. Tal respeito a um vida não desrespeita em nenhum momento a dignidade da mãe.

Tal argumento contrário à vida, justificado por uma “dignidade” juridicamente inventada parte de um uso redutivo da razão. “Se o feto não será um ser humano saudável que contribuirá para a sociedade, e terá uma vida breve, por que não encurtar ainda mais sua permanência entre nós, realizando um aborto que gerará menos danos psicológicos para a mãe”, pensam alguns. Existe uma lógica nisso, mas a razoabilidade não corresponde à lógica, a lógica é apenas um ideal de coerência. Partindo-se de uma hipótese errada, mesmo utilizando corretamente a lógica, chega-se a uma conclusão errada. É como a matemática. Razão não é igual à lógica! Logo, se parto da hipótese errônea que levar a termo que “a gestação de um anencéfalo vai causar mais danos psicológicos à mãe e irá contra sua dignidade”, não interessa que lógica eu use, vou chegar a uma conclusão errada, não razoável.

O bom uso da razão demanda uma observação da realidade, em todos os seus fatores, inclusive que o feto existe, é uma vida dependente da mãe, mas difere dela, como qualquer feto sem anencefalia. Um ser humano que depende, como todos nós dependemos um dia.

O aborto de um anencéfalo é tão criminoso quanto um aborto de um feto ”normal”, uma vez que são igualmente dependentes da mãe. Ambos têm direito à vida, mesmo que esta vida seja breve.

Editorial - Uma lógica perversa

Eis que surgem homens imparciais, justos, igualitários, defensores da liberdade, que vieram para salvar o mundo – ou pelo menos o Brasil - de todas as injustiças que foram impostas ao povo por moralistas opressores. Tais homens, que também tentam parecer serem detentores da verdade, uma verdade à qual todos poderiam chegar, bastando apenas seguir uma linha lógica, traçada por eles mesmos.

Estes homens, através de uma lógica perfeitamente estruturada dizem defender a dignidade humana apoiando – ou melhor, aprovando judicialmente - o aborto de anencéfalos. Alegam, eufemisticamente, que tais “seres” são considerados “juridicamente mortos”. Puderam fazê-lo, pois, aparentemente, possuem o poder de separar o que deve e pode viver do que pode – e deve – ser morto. Em nossa bússola, surge a questão: que tipo de dignidade humana é esta, defendida por tais homens, que se é obtida através de uma permissão de assassinato aprovada por lei? Ou há alguém que discorde que a fecundação de um óvulo por um espermatozóide gera, inevitável e indubitavelmente, a vida - neste caso - humana?

Em outras esferas da sociedade, homens com tais “qualidades” defendem sua visão de mundo como a única justa. Então, como defensores da liberdade por excelência, transmitem tal visão de mundo que, por ser a única correta, deve ser a única a prevalecer e, então, todos serão libertados dos pensamentos e morais impostas por classes dominantes. Nossa bússola insiste, com outras questões: Todos, então, serão livres pensadores se pensarem da mesma forma? Não é uma imposição fazer prevalecer uma única visão impedindo outras de se manifestarem?

Tais homens defendem a justiça, igualdade e dignidade humana através de leis –injustas - que permitem o assassinato, negando a dignidade de um ser humano por ser desigual ao que é “juridicamente vivo e perfeito”. Outros homens, defendem a liberdade e a imparcialidade através da imposição de ideias e ideais-padrão que devem ser seguidos por todos.

Os primeiros e os segundos “homens” possuem pontos em comum: justificam suas ações e pensamentos como “secularistas”, mas, negando qualquer ética que provenha de religiões, constroem uma outra, baseada apenas no que for mais conveniente no momento. Negam-se, assim, valores construídos ao longo de séculos – e até milênios – da nossa civilização ocidental. Esta negação e reconstrução é sempre justificada por uma característica marcante destes homens: uma lógica perfeitamente estruturada, perfeita apenas em estrutura, pois seus resultados demonstram, na prática, que se trata de uma lógica perversa.

domingo, 11 de março de 2012

“O Artista”, a Arte e a Tecnologia - texto sobre o filme “O Artista”


Causa estranhamento um filme mudo e em branco e preto em pleno ano de 2012. Chega-se a pensar que é uma reprodução de algum longa-metragem antigo. Mas não é! Desta forma inusitada a fita nos mostra não só que não é necessária a utilização de recursos de alta tecnologia para fazer uma excelente produção, mas que a comunicação não se dá apenas por palavras, também por gestos e expressões, que, por vezes, dizem muito mais.

O longa se passa em meados da década de 1920, conta a história de um astro de cinema mudo, George Valentin que começa a ver sua carreira desmoronar por não aceitar a nova forma de se fazer filmes, o cinema falado. Ao mesmo tempo, Peppy Miller, graças à ajuda de George no início, começa a ascender em sua carreira de atriz. George e Peppy acabam por se apaixonar e a trama do filme se desenvolve a partir deste romance. Enquanto um está em crise na carreira, o outro torna-se uma estrela, analogamente à transição do cinema mudo para o cinema falado.

Para não ir além e contar o final – o que poderia deixar alguns leitores muito descont
entes – chamo a atenção para outra analogia do filme com as transições do cinema, neste caso, no cinema atual: a transição da projeção de película 35 mm para a projeção digital ou ainda, a utilização de animações e efeitos especiais contra a valorização da atuação por si só.

A primeira questão é principalmente sobre qualidade de imagem. A segunda: animações e efeitos especiais contra a atuação. Não que um exclua totalmente o outro, mas o que muitas vezes acontece é que os efeitos especiais e animações são supervalorizados, em detrimento da atuação.

Filmes com a finalidade comercial acima da artística costumam pecar neste aspecto, tornam-se filmes para espantar pela qualidade da tecnologia, para se dizer “olha, esta explosão parece de verdade!”. No entanto, é um espanto que, acompanhado por um saco de pipocas e coca-cola, não passa de uma distração. É muito diferente de um espantamento causado pela bela atuação do elenco de um filme, que é algo que pode chegar a comover pela beleza, é um espanto que não distrai, mas nos provoca e comove. A provocação que se torna ainda maior sendo um filme feito como os antigos, de épocas nas quais nem sequer a imaginação mais fértil conceberia a tecnologia que temos hoje. E mais: durante todo longa há apenas uma fala do ator principal. Isto nos faz pensar que aquilo que nos provoca por ser tão belo não parte da tecnologia. Parte do humano. E não é dependente de palavras, pois pode ser comunicado por gestos, por uma expressão, por algo que nossa visão nos permite perceber que, realmente “vale mais que mil palavras”.

Este filme, concorrendo a prêmios – e vencendo muitos deles - com tantas outras “superproduções digitalizadas” nos mostra que a tecnologia não é obrigatória à expressão artística e também não pode, nem consegue suprimí-la. No desenrolar do enredo, ao se observar a história de George Valentin, surge uma outra questão: a arte e o artista podem se expressar mesmo após mudanças tecnológicas ou, como equipamentos eletrônicos, tornam-se obsoletos? Assistam a este excelente filme e, no final, saberão!

Enfrentando os desafios de ações em doenças infecciosas emergentes a partir do realismo existencial


Desde 2005, temos desenvolvido um projeto de extensão universitária, ministrando palestras sobre doenças infecciosas emergentes como dengue, tuberculose, hanseníase, leishmaniose, entre outras, para comunidades carentes, além de realizar campanhas de detecção de tuberculose (TB) e de hanseníase. De alguma forma, não bastava. Nas campanhas, conseguíamos detectar poucos casos e nas palestras, nem sempre as pessoas estavam atentas. Isso nos corroía por dentro. Faltava algo. Em um Simpósio de tuberculose, ouvimos uma ex-paciente de TB dar o seu testemunho. Ela vivia na favela da Rocinha, passou por dois tratamentos contra a doença. Decidiu ajudar sua comunidade, realizando busca ativa e acompanhando quem estava em tratamento. A partir desta iniciativa, entendemos por onde deveríamos caminhar. Formar pessoas da própria comunidade, capacitando-as. Decidimos realizar um curso de atualização diagnóstica em doenças infecciosas emergentes para agentes comunitários de saúde.

Na segunda edição do curso, que foi em 2010, começamos a primeira aula dizendo aos alunos: “Não estamos aqui para emitir certificados, estamos aqui para lhes provocar, provocar a olhar para a realidade, que ela lhes corroa. Que vocês não durmam mais tranquilos. A responsabilidade é pessoal.” E assim foi. No dia da campanha de busca ativa de casos de TB, um agente comunitário estava muito feliz por ter conseguido trazer uma senhora que havia muito tempo que não queria fazer o exame e que só estava lá porque nosso antigo paciente a tinha acompanhado. No final desse dia, os alunos nos diziam que aquilo que eles haviam vivido era irreal, de tão ideal que era. Um deles relatou: “Nunca mais vou esquecer que a realidade nos provoca”. E o lema do curso que se tornou camiseta: “A realidade nos desperta”.

A cada ano cresce o desafio porque temos que retomar o significado. Nada é óbvio. O que foi o ano passado pode não ser o mesmo este ano. Aos poucos, escutando os alunos reportarem como está o diagnóstico de hanseníase em seus postos de saúde, vamos novamente entendendo qual é o nosso novo desafio. Continuar provocando, agora não apenas os agentes de saúde, mas os demais profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, e outros. E lá fomos nós incomodando novamente: “O paciente abandona o tratamento por falta de qualidade no atendimento...“. Continuamos a fazer uma trajetória, nos empenhando com a certeza que aquilo que aprendemos com o padre e filósofo italiano Luigi Giussani nos lança ao desafio de olhar para a realidade com toda energia, retomando sempre o significado daquilo que fazemos, e nos salva da hipocrisia.

Aparecida Tiemi Nagao-Dias - coordenadora do projeto (Universidade Federal do Ceará); João Carlos Chaves – bolsista de Extensão; Alexandre Casimiro de Macedo – farmacêutico

(Texto publicado também na revista PASSOS: http://passos.tracce.it/)