quinta-feira, 1 de março de 2012

Editorial - O protagonismo ou coisificação do homem

O homem é o protagonista da realidade. Entretanto, às vezes isto é deixado de lado, como se não tivesse a menor importância, e ele é tratado como uma “coisa”, algo inanimado, irracional, sem desejos, anseios ou necessidades, sem valor ou finalidade.

Esta “coisificação” do homem é observável atualmente e bastante aceita pelo senso comum – no sentido de uma forma de pensar e agir à qual não se reflete a respeito, absorvida como que por “osmose” e, então, replicadas – atual. A replicação de pensamentos e ações alheias é um grande sinal de falta de capacidade de “fazer por si”, analisar e refletir segundo critérios próprios.

Isto nos chama atenção para problemas na educação atual. Não entendemos educação como uma mera retenção do maior número possível de informações. A verdadeira educação e sua finalidade é despertar o homem, permitir que cada indivíduo possua capacidade de olhar e entender a si próprio e à realidade a que pertence – tanto a mais próxima, como a família, quanto o mundo como um todo – e, com este entendimento, ter a capacidade do “fazer por si”. Mas, se mesmo as metas de melhora educacional deste país, visam somente melhorar qualidade de transmissão de informações – coisificam –, como esperar que surjam indivíduos independentes, que refletem sobre a realidade? Falta a educação humana.

Observamos também coisificação na mídia e política – afinal, estas caminham de mãos dadas -: UPP’s são mesmo a “salvação” permanente para os morros? Acreditamos que não. A polícia pode até erradicar o tráfico de drogas de um morro, mas não tiram seus moradores das condições de vida desumanas. Além disto, há ainda o perigo de que a pacificação dos morros sejam só para trazer uma boa imagem para o Rio de Janeiro durante os eventos internacionais – Copa do Mundo e Olimpíadas - que acontecerão nos próximos anos. E quando estes terminarem, os morros e seus habitantes – tratados como coisas, sem direitos, importância ou desejos – sejam novamente deixados para segundo plano.

O protagonismo do homem na realidade depende de que o indivíduo seja educado a agir e pensar segundo os critérios que são inerentes a ele próprio e não que seja coisificado, como uma unidade a mais numa linha de produção. Como já foi frisado antes, todo homem possui uma bússola dentro de si - que é mais grandiosa que qualquer senso comum, decisão política, modelo econômico ou opinião da mídia – que o norteia a julgar a realidade. Negar a existência disto é negar que há o humano e afirmar que há meras “coisas”. E esta conclusão implica em outra pergunta: se estes critérios são inerentes a todo humano, qual a Origem destes se não foram escolhidos por nós? O protagonismo do homem na realidade se deve a um Outro?

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