Rocinha. Maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro. Talvez do Brasil. Ponto turístico obrigatório dos estrangeiros que visitavam a cidade. Em meados de novembro, como a mídia noticiou amplamente, a polícia pacificou o morro sem dar um único tiro. Diferentemente de alguns meses atrás, quando uma ação semelhante foi efetuada no Morro do Alemão. Na época, se viam criminosos fugindo pelo meio da mata para o morro vizinho, enquanto a polícia hasteava bandeira nacional, executava o hino brasileiro e tudo mais, representando a retomada do poder para as mãos do governo oficial. Pareciam cenas de um possível Tropa de Elite 3.
Mas afinal, o que significa pacificar as favelas? O que significam as UPP’s dentro dos morros? Elas são realmente a salvação das pessoas que vivem na Rocinha e nos tantos outros conjuntos de favelas ocupados? As favelas retomadas, como costumam dizer, estão realmente salvas, como vendem os jornais?
A polícia merece, de ato, ser valorizada e reconhecida. Muitos criminosos caíram durante a ação e o trabalho de investigação foi muito inteligente em usar armas brancas como Facebook e Twitter para monitorar a vida dos criminosos e de quem estava perto. Além disso, o que é louvável, policiais que ganham um salário irrisório recusaram um milhão de reais oferecidos pelo tráfico para liberarem o “dono” da Rocinha Nem. Sua mulher, a “xerifa”, como gostava de ser chamada, também caiu.
O problema de toda essa história é ver a mídia vendendo as UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) como a salvação do mundo. Elas são um importante instrumento de combate ao tráfico de drogas e à criminalidade dentro das favelas. Porém, não são garantia de que as pessoas serão mais felizes e seguras. É preciso cuidar para que as milícias não se reorganizem dentro dessas unidades e as comunidades tenham um novo “dono”, como em outras épocas. Ou, que após a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, quando os olhos do mundo não estarão mais voltados para o Rio de Janeiro, a criminalidade retome seu lugar.
De toda forma, a pacificação de verdade não termina com a retomada dos morros. É um ponto de partida, não de chegada. Passa, fundamentalmente, por investimento em saúde, em trabalho, em educação de qualidade, para que todos tenham esperança e possibilidade de construir sua vida com dignidade, dentro ou fora das comunidades.
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