Nasce no Brasil primeira criança manipulada geneticamente em laboratório. Maria Clara Reginato Cunha, foi pensada, planejada, selecionada dentre tantos embriões e concebida para doar medula óssea para sua irmã de 5 anos que sofre de Talassemia Major, uma doença genética na qual a medula óssea não produz glóbulos vermelhos na freqüência necessária, provocando anemias graves, e em sua forma mais grave, pode levar à morte.
Nasceu com uma função, salvar a sua irmã! Louvável, se não fosse o fato de ter perdido 15 potenciais irmãos no caminho para que fosse a vitoriosa escolhida!
Foram duas tentativas; na primeira, seis embriões, mas todos com a doença; na segunda tentativa, dez embriões, mas apenas dois sem a doença. Somente Maria Clara era totalmente compatível com sua irmã doente e foi a escolhida, aumentando assim, as chances obter sucesso no transplante.
Duas questões me vêm à cabeça ao me deparar com esta situação. Primeiro, um filho é um dom, doado, fruto de um amor, de um relacionamento homem e mulher. Ao planejar a concepção de uma criança dessa maneira, o seu sentido original de dom é reduzido, a sua dignidade humana é reduzida sobressaltando-se o seu uso, a sua função: nasceu para alguma coisa.
O nosso mal é que hoje em dia, não somos acostumados a olhar o que nos é dado, ou aquilo que está na realidade como Presença de algo maior. Tudo, absolutamente tudo, seja fácil ou difícil, bom ou ruim, tem um destino positivo, bom! A manipulação gênica somente é aceita para detectar a viabilidade do embrião ou detectar doenças hereditárias. Escolher o sexo, verificar compatibilidade e gerar crianças cujo fim não seja a procriação humana são procedimentos ou proibidos ou não regulamentados. Segundo, para que Maria Clara fosse a vitoriosa e salvasse sua irmãzinha, 15 embriões, possíveis irmãozinhos, foram descartados por não contemplarem as características necessárias para a compatibilidade com a irmã. Esta prática lembra a eugenia que é a reprodução que busca o “melhoramento” da raça humana. Conceito usado por outros grandes líderes.
Quanto vale uma vida? Quantas vidas são possíveis desperdiçar para que uma seja salva? Temos que tomar cuidado para não reduzirmos o ser humano, para que o seu uso não seja superestimado em detrimento do dom que é a sua vida! E prestar atenção àquilo que a realidade nos coloca, pois ali encontraremos a verdade e poderemos fazer a escolha certa!
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