A crise atual fortaleceu o discurso que anunciava o fim do capitalismo. A realidade parece ser bem diferente. O Estado com o seu poder sempre fora um problema constante dentro das discussões políticas da modernidade. A reflexão a respeito das suas funções e fins se torna atual, ainda mais quando no centro da discussão se encontra o homem. Dentro da perspectiva da Escola Austríaca de economia a crise está longe de ser contabilizada na conta do “capital”. Não obstante, nessa problemática acha-se o homem esquecido. Se, por um lado, a individualidade – e não o individualismo – humana é esmagada pelos desmandos do Estado, por outro o “sujeito” é transformado numa variante dentro do cálculo, reduzido a um dos pontos do gráfico, dentro do paradigma neoclássico de economia.
O Estado, então, é responsável por criar artificialmente uma euforia no mercado ao decidir os rumos da economia mediante a injeção de moeda e através da redução de juros, reflexo de projetos de poder político, criando para os agentes econômicos a impressão de que existe mais poupança para o investimento. Tais medidas governamentais, usadas pela máquina burocrática, impulsionam o crescimento econômico de modo artificial, gerando um falso entusiasmo. Dentro da perspectiva econômica, estas ações acarretarão o aumento do acesso ao crédito, isto é, o barateamento do dinheiro. Destarte, o crescimento do índice de emprego, consumo e de riquezas refletem as medidas do governo, porém, com a manutenção dessas políticas artificiais a economia inicia a ruína por meio da perda do valor da moeda, gerando incerteza para os agentes. A solução, nesse ponto, se encontra em optar pela continuação das medidas de outrora ou, buscando remediar a crise, a adoção de projetos restritivos com o aumento de juros e redução dos gastos públicos. Surgem as falências e a depressão.
Ainda compreendendo corretamente as suas origens, podemos reduzir tudo a uma dinâmica estritamente econômica. É crucial entender não apenas a relevância e protagonismo do homem, mas sim que só ele é capaz de, usando as suas potencialidades, criar um mundo e cumprir o seu desígnio fundamental que é a felicidade. Só com tal olhar conseguimos encontrar o homem perdido em meio aos discursos nos parlamentos e ofuscado pelos cálculos que o transforma numa máquina. A crise só poderá ser solucionada através de ferramentas econômicas, da correta compreensão das estruturas de mercado. Esta sabedoria só é possível de ser entendida com a intervenção da razão do homem. Há a necessidade do mundo se reencontrar com a humanidade, ou seja, com o que de mais fundamental existe na sua natureza, o princípio basilar sobre o qual se realiza e se entende enquanto tal.
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