quinta-feira, 1 de março de 2012

Editorial - O papel da universidade: educar para a criticidade


A universidade é uma nova etapa na vida. Mas o que realmente importa para um aluno na universidade? Dedicar-se exclusivamente aos movimentos estudantis ou somente à própria formação? E, em um questionamento mais amplo, qual o papel da universidade? Ser uma produção em série de tecnicistas sujeitos à ideologia dominante ou pessoas críticas, que se ponham em constante questionamento sobre o contexto em que estão inseridas?

Começando pela perspectiva do aluno, não é possível reduzir tudo a escolher entre um dos pólos citados. Fazer apenas o primeiro seria diluir-se em uma multidão ou tornar-se uma pessoa indiferente ao todo, alheia à sociedade, um individualista. É preciso considerar o seu próprio eu, sem se perder no todo e também sem se tornar alheio ao contexto. Como fazê-lo? Uma forma é confrontar seus próprios critérios com o cenário atual. Estes critérios são fruto da experiência, quando julgamos aquilo que vivemos. Alguém que utiliza a experiência para analisar algo, não simplesmente absorve valores e conceitos que são transmitidos mas busca sua coerência consigo mesmo. Com este confrontamento, este questionamento da realidade, surge também o desejo de que o que não é justo no mundo, na sociedade, seja mudado e então pode surgir alguma mudança. Desta forma acaba a indiferença para com o eu e o contexto.

Da perspectiva da universidade: criar tecnicistas – meros replicadores de conhecimentos e técnicas – ou críticos – aqueles que questionam profundamente tudo? Pode ser mais cômodo criar tecnicistas, pois para tal não é necessário se dar ao trabalho de envolver a sociedade, o contexto, mas apenas replicar modelos já criados. Este tecnicismo retira do ser humano os critérios pessoais, pois estes se manifestam na forma de questionamentos, através de interrogações, perguntas, enquanto que o tecnicismo fensina a simples aceitação e posterior replicação do aprendizado. Pouco importa o “eu” na replicação de um modelo, um desenho feito por outros.

A universidade deve educar a criticidade, que é a capacidade de confrontar o contexto, a sociedade com seus critérios pessoais. A simples transmissão de conhecimentos de uma forma dogmática, o tecnicismo, é uma forma de impedir os questionamentos e favorecer a mera replicação. Educando seres humanos para serem críticos, se faz uma intervenção significativa na sociedade, pois a criticidade incentiva a confrontar-se com o contexto, considerando o seu próprio eu sem ser individualista. Desta forma, a universidade recria seu nexo com o todo, criando interventores da sociedade, deixando, então, de ser uma ilha.

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