quinta-feira, 19 de abril de 2012

Editorial - Uma lógica perversa

Eis que surgem homens imparciais, justos, igualitários, defensores da liberdade, que vieram para salvar o mundo – ou pelo menos o Brasil - de todas as injustiças que foram impostas ao povo por moralistas opressores. Tais homens, que também tentam parecer serem detentores da verdade, uma verdade à qual todos poderiam chegar, bastando apenas seguir uma linha lógica, traçada por eles mesmos.

Estes homens, através de uma lógica perfeitamente estruturada dizem defender a dignidade humana apoiando – ou melhor, aprovando judicialmente - o aborto de anencéfalos. Alegam, eufemisticamente, que tais “seres” são considerados “juridicamente mortos”. Puderam fazê-lo, pois, aparentemente, possuem o poder de separar o que deve e pode viver do que pode – e deve – ser morto. Em nossa bússola, surge a questão: que tipo de dignidade humana é esta, defendida por tais homens, que se é obtida através de uma permissão de assassinato aprovada por lei? Ou há alguém que discorde que a fecundação de um óvulo por um espermatozóide gera, inevitável e indubitavelmente, a vida - neste caso - humana?

Em outras esferas da sociedade, homens com tais “qualidades” defendem sua visão de mundo como a única justa. Então, como defensores da liberdade por excelência, transmitem tal visão de mundo que, por ser a única correta, deve ser a única a prevalecer e, então, todos serão libertados dos pensamentos e morais impostas por classes dominantes. Nossa bússola insiste, com outras questões: Todos, então, serão livres pensadores se pensarem da mesma forma? Não é uma imposição fazer prevalecer uma única visão impedindo outras de se manifestarem?

Tais homens defendem a justiça, igualdade e dignidade humana através de leis –injustas - que permitem o assassinato, negando a dignidade de um ser humano por ser desigual ao que é “juridicamente vivo e perfeito”. Outros homens, defendem a liberdade e a imparcialidade através da imposição de ideias e ideais-padrão que devem ser seguidos por todos.

Os primeiros e os segundos “homens” possuem pontos em comum: justificam suas ações e pensamentos como “secularistas”, mas, negando qualquer ética que provenha de religiões, constroem uma outra, baseada apenas no que for mais conveniente no momento. Negam-se, assim, valores construídos ao longo de séculos – e até milênios – da nossa civilização ocidental. Esta negação e reconstrução é sempre justificada por uma característica marcante destes homens: uma lógica perfeitamente estruturada, perfeita apenas em estrutura, pois seus resultados demonstram, na prática, que se trata de uma lógica perversa.

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