quinta-feira, 19 de abril de 2012

PUC - Pontifícia Universidade Católica

A discussão a respeito do secularismo da PUC-SP está em alta e cresceu graças ao pronunciamento de Dom Luiz Bergonzini. Ele defendeu que a Universidade, por ser católica, deve se fundamentar nos princípios cristãos. Não poucos foram os arautos da “liberdade” que se levantaram contra o que consideraram a fala totalitária do Bispo. Para compreender as nuances da discussão devemos nos livrar do típico preconceito secularista que, direta ou indiretamente, toma conta da consciência do homem moderno.

A liberdade de expressão não é “unidirecional”, do contrário estaríamos falando do sonho dos totalitários, ou seja, da liberdade de alguns poucos se pronunciarem enquanto muitos outros são sistematicamente taxados de “reacionários”, “fascistas”, “medievais” etc. Em um dos artigos do estatuto da PUC-SP se diz que o cumprimento da sua missão “orienta-se, fundamentalmente, pelos princípios da doutrina e moral cristãs” e que “dentro desse espírito, assegura a liberdade de investigação, de ensino e de manifestação de pensamento”. Ora, estamos falando, portanto, de uma instituição católica e que se alicerça em claros paradigmas cristãos. Vale frisar que o que é proposto não é a transformação da sacralidade acadêmica numa aula de catequese paroquial, mas sim que o ethos que sustenta a vida universitária é, obviamente, cristão.

Os revoltosos secularistas afirmam que se a PUC aderisse ao que a ela é pedido se distanciaria da essencial liberdade de expressão. Entretanto, a PUC-SP não é a única Universidade do mundo e, ao que me consta, ninguém ingressou nela sem saber o que representam as letras “P” e “C” que aparecem na sua sigla. Ademais, nunca haverá um ambiente universitário livre de influências externas, sejam elas políticas, religiosas, ideológicas – as nossas Universidades Federais que o digam. Assim, é natural que os homens que constroem as Academias – não, elas não caem do céu e nem brotam por partenogênese – estejam unidos por um projeto comum. Foi assim que surgiram as Universidades historicamente e foi assim que nasceram diversas instituições acadêmicas das mais variadas matizes; comunistas, luteranas, católicas, liberais, umbandistas etc.

Destarte, é assustador perceber como um grande número de jovens e pensadores não percebe a gravidade de tamanha incoerência. Tal grupo advoga o direito de estudar e lecionar numa instituição católica e de defender uma agenda moral que vai de encontro com aquilo que é defendido, quer gostem ou não, pela Igreja, mas sequer aceita o direito da mesma instituição católica de querer ser católica e de se posicionar no mesmo aspecto. Trata-se de uma liberdade de expressão enviesada e assustadoramente ideologizada. Devemos buscar viver realisticamente, só assim será possível nos afastar do desejo idealista que sempre ronda o coração.

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